Martin Dias

Nome: Martin Dias

Cidade Natal: Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil

Data Nascimento: 30/11/1984

Reside : Brasília - Brasil

Profissão: Oceanógrafo, especialista em pesca. Ocupo o Cargo de Science Director na ONG Oceana.

Meu primeiro estágio. Itajaí (SC) 2003-2004. Recém entrado na universidade. Trabalhava praticamente de graça, ganhando uma bolsa de R$ 175 mensais. Passava horas dentro de um laboratório fazendo o entusiasmante trabalho de medir e pesar os peixes coletados na Baía Sul de Florianópolis. Ainda lembro da frase escrita embaixo do Ictiômetro: “medir e pesar, é só começar”. A pior parte eram as frequentes ferroadas que eu levava dos pequenos bagres. Tempos de aprendizado… mas não sinto saudades da bancada. No fundo era um serviço meio chato.

Rumo à conclusão de curso. Itajaí (SC) 2006-2009. Entrei no laboratório de Oceanografia Biológica. Orientado pelo professor mais casca-grossa da biologia pesqueira. Foi definitivamente ali que me tornei um profissional. Com um nível de exigência altíssimo para o padrão geral, meu orientador me puxou para um nível acima. Eu sabia disso. Concluí minha graduação com excelência.. apesar de algumas reprovações.

Primeiro emprego. Itajaí (SC) 2009-2012. Oceanógrafo, contratado pelo Grupo de Estudos Pesqueiros da UNIVALI, um dos mais respeitados do país. Era um orgulho ser selecionado para trabalhar lá. Foram 3 anos entrevistando pescadores, entrando em fábricas de pescado, manuseando planilhas e escrevendo relatórios. Uma fase de grande aprendizado sobre a pesca no Brasil. Passei horas com pescadores nas embarcações, ouvindo as histórias. Horas medindo peixes. Horas debatendo análises e padrões com colegas de trabalho. Um período rico. O que eu enxergava nas planilhas, eu conversava e confirmava com os pescadores.

Consultor. Sem base, rodando o Brasil 2012-2016. Após finalizar meu mestrado com foco em Certificação de Pescarias e apresentar meu trabalho no 6th World Fisheries Congress, em Edimburgo, Escócia, as oportunidades de trabalho choveram. Comecei a trabalhar em diversas consultorias. Grandes indústrias de pesca, empresas de auditorias, ONGs… todos eram clientes. 

Trabalhos com certificação, programas de melhorias, análises de cadeias produtivas. Fui desde o Acre ao Amapá. De Santa Catarina ao Ceará. Visitando locais, trabalhando com pessoas. Entendendo a pesca no Brasil. Foram 4 anos que me trouxeram uma visão quase que completa o variado cenário da pesca brasileira.

Diretor Científico na Oceana Brasil, Brasília 2017-atual. Dentre os diversos clientes ONG a Oceana era uma das principais. Ao final de 2016 já trabalhava quase que de forma exclusiva para eles. Vieram as propostas de integrar a equipe, inicialmente como coordenador técnico. Depois, uma promoção para Diretor Científico. Meus maiores desafios profissionais, acompanhados também das maiores realizações. Dentro de Brasília, adentrei o ambiente onde as normas são feitas. A maior realização? Sem dúvidas quando colocamos o sistema de cotas para a pesca da tainha. Voltar à Ponta da Barra de Laguna e tomar um café com o o pescador de tainha Joacir e escutar as impressões dele sobre uma regra que eu ajudei a criar, não tinha preço. Como na “barrinha” o assunto mais falado sem duvidas é tainha, em maio de 2018 comunidade toda não falava de outra coisa que não as tais cotas. Vi meu trabalho tocar a vida das pessoas. E isso não tem preço.

O que me faz querer estar perto do mar? O mar por si só já é o motivo. Basta o mar. O que vem dele apenas contribui para aumentar a vontade de estar perto do mar. Cresci no mar, aprendendo a mergulhar com meu pai. A pescar. A surfar. Do mar eu tirava alegria. Eu tirava comida. Quando fiquei mais velho, o mar virou algo mais profundo. Nos últimos dias de minha estada de 1 mês na Ilha Grande, enquanto mergulhava, tive a estranha sensação de achar que não seria ruim morrer ali, naquela exata hora. Eu estava pescando em apneia, na ponta da Praia do Aventureiro. Cheguei na divisa entre a areia e as pedras – uns 15 m de profundidade – e tudo estava simplesmente perfeito. A calma. Os peixes e seus afazeres diários. O azul infinito atrás de mim. Ajoelhado na areia, lá de baixo, eu olhei pra cima, pra superfície, e pensei que eu simplesmente não queria subir. Não seria ruim ficar por ali mesmo. O mundo além da linha dágua parecia simplesmente chato, vazio. Em baixo da água existe uma vida que nós, como seres terrestres, não conseguimos enxergar. É um outro mundo, um mundo que o surf não revela. No surf, ainda que estejamos longe da praia (terra) não nos desconectamos com o mundo da superfície. Com o ar. Eu adoro surfar… mas um dia de apneia leva a outra dimensão. Eu não morri.. como todos sabem. No fundo (sem trocadilhos) não desejo a morte. Então eu voltei. Hoje em dia, o que eu acho mais fascinante é o fato de não poder observar por mais do que alguns meros segundos, o lugar que eu mais amo: o fundo do mar. Funciona assim: eu respiro bem fundo. Me concentro e baixo os batimentos cardíacos. Tomo impulso e desço: 5, 10, 15, 20 metros. Quando chego lá em baixo, tenho consciência que serão apenas alguns poucos segundos de contemplação. Depois tenho que subir, respirar e viver. No fundo (talvez agora o trocadilho sirva) eu sei que não sou dali. Talvez a melhor resposta para a pergunta lá de cima seja essa: “Eu queria muito ser do mar. Mas eu sei que nunca vou ser. E esta busca eterna é que me vai fazer querer estar sempre perto do mar, por toda a minha vida”.